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O que é chocolate?

O que é chocolate_vinte vinte

Uma definição que muda com o tempo, a geografia e a lei

Poucos alimentos são tão universais e, ao mesmo tempo, tão difíceis de definir como o chocolate. Presente em praticamente todos os cantos do mundo, consumido por pessoas de todas as idades e classes sociais, o chocolate parece um conceito simples. Mas não é. A resposta à pergunta “o que é chocolate?” varia consoante a época histórica, o país, a legislação e até a cultura de consumo.

Das origens sagradas ao mundo moderno

Os primeiros vestígios do consumo de cacau remontam a cerca de 3.300 anos antes de Cristo, na região que hoje corresponde ao Equador, mais concretamente em Santa Ana–La Florida, na bacia do rio Mayo-Chinchipe-Marañon. A partir daí, o cacau ganha relevância noutras civilizações da América Central.

Entre 1.200 e 400 a.C., os Olmecas, na Mesoamérica, deixam provas claras do seu consumo. Mais tarde, entre 250 e 950 d.C., os Maias desenvolvem e difundem amplamente a bebida conhecida como xocoatl, feita à base de cacau, água e especiarias. Já no período Asteca, entre 1325 e 1521, o cacau assume um papel central na sociedade, com registos detalhados da sua preparação, consumo e ligação simbólica à árvore do cacau, documentados por cronistas como Bernardino de Sahagún.

O significado da palavra chocolate

A própria palavra “chocolate” tem origem no termo xocoatl, do idioma nahuatl, resultante da junção de xococ (amargo) e atl (água). O termo surge pela primeira vez numa língua europeia — o castelhano — nos finais do século XVI. À época, o chocolate era uma bebida amarga, composta por cacau, água, malaguetas, baunilha e achiote, bem distante das versões doces actuais.

A invenção do chocolate sólido

Durante séculos, o chocolate manteve-se essencialmente como bebida. Só em 1847, em Inglaterra, Joseph Fry desenvolve a primeira tablete de chocolate sólido. Poucas décadas depois, em 1875, Daniel Peter cria o chocolate com leite, na Suíça. Já em 1936, a Nestlé introduz o chocolate branco, feito à base de manteiga de cacau, sem sólidos de cacau.

Estes marcos industriais moldaram profundamente a forma como o chocolate é produzido, comercializado e consumido até hoje.

Uma definição legal… imprecisa

Apesar da sua popularidade, o chocolate continua a ser um conceito juridicamente instável. Os próprios dicionários apresentam definições imprecisas e, do ponto de vista legal, não existe um padrão global. O que é considerado chocolate nos Estados Unidos pode não cumprir os requisitos legais da União Europeia.

Esta ausência de uniformização legislativa distorce inclusive os dados de consumo mundial, já que produtos classificados como chocolate num país podem ser excluídos dessa categoria noutro. No fundo, o chocolate varia — no formato, na composição e na definição — de país para país.

 

Um produto sem momento definido

Ao contrário do vinho, do café, do chá ou da cerveja, o chocolate não está associado a um momento específico de consumo. Não é encarado como bebida, nem como alimento principal. Está em todo o lado, mas sem um ritual claro. Esta indefinição reflecte-se também na forma como é vendido.

Enquanto o vinho é organizado por país, região, casta, ano e produtor, o chocolate surge frequentemente desorganizado, com pouca diversidade visível e dominado pelos “suspeitos do costume” — grandes marcas globais que se repetem em qualquer parte do mundo.

 

O futuro do chocolate

O sector enfrenta hoje questões estruturais importantes. A uniformização da legislação é uma delas. Outra passa pelo próprio formato de consumo: continuará o chocolate a ser maioritariamente sólido ou poderá regressar, de forma inovadora, ao formato líquido?

As marcas bean-to-bar surgem como agentes de mudança, ao focarem-se na origem do cacau, no sabor e no aroma. No entanto, apesar do seu crescimento, representam ainda cerca de 0,2% do volume global do mercado. O desafio é enorme: como crescer até uma quota significativa sem perder identidade e impacto positivo junto dos produtores de cacau fine & flavour?

A resposta parece passar pela informação e pela formação — dos produtores de cacau, dos produtores de chocolate e, sobretudo, dos consumidores.

Em suma, o chocolate não é apenas um produto alimentar. É história, cultura, economia e identidade. E talvez a sua maior riqueza esteja precisamente na dificuldade em defini-lo de forma absoluta.

 

Pedro Martins Araújo

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